País
Seguro alerta para os maus resultados do relatório PISA
O presidente da República diz que a crise nos hábitos de leitura é preocupante e põe em risco o futuro da sociedade.
Foto: Tiago Petinga - Lusa
"Quarenta anos depois da criação da Rede de Leitura Pública, é necessário um novo impulso nas políticas de educação para a leitura e para o enriquecimento cultural. Isso fará de nós uma nação que lê. É um trabalho que diz respeito à escola, em primeiro lugar, mas também à família e a cada um de nós, portugueses", declarou António José Seguro, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.
“As coisas têm o seu tempo, e este tempo pode ser, como dizem algumas vozes, o tempo de um certo conformismo diante desses números pouco agradáveis”, afirmou.
O presidente da República vincou que “a situação é tão exigente que foram algumas das principais publicações globais sobre economia e política a consagrarem bastante espaço ao assunto, precisamente porque são também o futuro da economia e o futuro das nossas sociedades que estão em risco”.
O chefe de Estado, que discursava na quarta edição do encontro Book 2.0, uma iniciativa da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL), apelou, por outro lado, à valorização da língua portuguesa no espaço mediático e da política e também em encontros como este - que tem nome em inglês - e insistiu na importância das "palavras do meio".
Leitura como "antídoto contra a exclusão"
Na sua intervenção, António José Seguro referiu-se aos "estudos PISA recentemente conhecidos" que apontam para uma "diminuição da taxa de literacia bem como, em muitos países desenvolvidos, o abandono da leitura como fonte de prazer ou como atividade cultural dominante", de que decorrem "o declínio das competências cognitivas e o declínio da literacia em ciência ou em matemática".
O chefe de Estado considerou ainda que a leitura "é um antídoto contra a exclusão e a ignorância, o mais perigoso dos vírus em democracia" e que "uma nação que lê é mais poderosa e está mais bem preparada para os desafios do seu tempo".
"Acredito que uma nação que lê promove a inteligência humana e não fica passivamente à espera dos benefícios e facilidades da Inteligência Artificial. Acredito que uma nação a ler, e a ler bons livros, é mais resistente às ventanias do populismo, da desigualdade, da ignorância, da injustiça e do esquecimento. Esse é um desafio para os próximos anos", acrescentou.
Sobre o número de livros vendidos em Portugal no ano passado, 15 milhões, de acordo com um estudo da APEL, António José Seguro disse que "vão na trajetória certa", mas que "há margem para melhorar" na venda de livros e "também na qualidade da leitura".
António José Seguro convidou todos a irem à Festa do Livro no Palácio de Belém, entre quinta-feira e domingo, e terminou a sua intervenção insistindo na importância das "palavras do meio", que "são lugar de encontro e de comunhão, de entendimento e de futuro".
c/ Lusa